quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Obesidade na adolescência.

A adolescência trata-se de uma fase de transição e indecisão devido à grande quantidade de informações que recebemos, porém fundamental para o desenvolvimento do ser humando mais completo tanto físico como emocional.
É um período da vida onde ocorrem várias mudanças físicas e psicológicas, altamente influenciadas por fatores genéticos e étnicos. É uma fase de muitas transformações que refletem de hábitos dos familiares e principalmente dos amigos, ou seja, de outras pessoas de sua convivência social, daquela cultura em que este indivíduo está inserido.
E é aí, nesse quadro, onde devemos dar maior atenção principalmente a adolescentes com algum tipo de problema em especial, como é o caso de adolescentes obesos.
Devido às suas condições, adolescentes obesos podem possuir graves problemas emocionais, sofrerem de depressão e outros problemas ligados à condição física, sendo que  muitos deles até já consideraram o suicídio como sendo o melhor caminho para se livrar das humilhações que por vezes passam devido à sua obesidade. Talvez por consequência de tantos problemas no convício social, jovens com excesso de peso geralmente possuem menos amigos  do que os adolescentes magros de sua idade.
A  obesidade entre os adolescentes alcançou proporções de epidemia em muitos dos  países desenvolvidos. Nos Estados Unidos, cerca de 15%  dos adolescentes são considerados obesos!
No organismo de qualquer pessoa, as calorias consumidas por meio dos alimentos, quando não são queimadas (utilizadas), são armazenadas em celulas de seu corpo, no tecido adiposo. Na gordura, assim digamos.
Em termos científicos, a obesidade acontece quando uma pessoa armazena uma quantidade muito grande de energia, isto é, o tecido adiposo cresce exageradamente. As causas para o desequilíbrio entre calorias ingeridas e queimadas podem variar de pessoa para pessoa. Fatores genéticos, ambientais e psicológicos, entre outros, podem causar a obesidade.
Fatores psicológicos que contribuem para obesidade
  • Muitos adolescentes comem como resposta a emoções negativas como tristeza, tédio ou raiva. Estes fatores influenciam os hábitos alimentares;
  • A reação a uma contrariedade excessiva faz com que o indivíduo passe a consumir maior quantidade de alimento, adquirindo consequentemente  mais peso;
  • Um outro fator que gostaríamos de destacar é a visão errônea, mas que ainda prevalece em muitos ambientes, de que obesidade, principalmente em crianças, é sinal de saúde e prosperidade, o que levará mais tarde ao desenvolvimento de adolescentes obesos;
  • Durante o período de compulsão alimentar a pessoa ingere maior quantidade de comida e sente que não consegue controlar o quanto está comendo. Vale salientar aqui que aqueles com problemas de desordem de compulsão alimentar mais severos também têm maior probabilidade de ter sintomas de depressão e baixa auto-estima, o que acaba por tornar ainda mais sensível o quadro que a pessoa enfrenta.
Se estiver incomodado por ter comportamento alimentar compulsivo e acha que tem desordem de compulsão alimentar, procure ajuda de um profissional de saúde!
Fatores genéticos da obesidade
  • Na genética do indivíduo, estão as informações da quantidade de energia que ele irá precisar nos momentos de carência alimentar ou na falta completa desta. Desta forma, algumas pessoas melhor consomem tais reservas de energia, mantendo-se em seu peso ideal, enquanto outras podem não consumir de forma adequada, o que pode levar à obesidade;
  • A obesidade tende a ocorrer em membros da mesma família, o que sugere o forte impacto da herança genética. Ainda, familiares também compartilham hábitos de dieta e estilos de vida que podem contribuir para a obesidade. Geralmente é difícil separar os fatores genéticos daqueles definidos pelo estilo de vida. Assim, a ciência mostra que hereditariedade está relacionada com a obesidade;
  • Em algumas pesquisas feitas foi descoberto que adultos adotados quando crianças mostraram ter peso mais próximo daquele de seus pais biológicos do que dos pais adotivos. Isso pode indicar que a herança genética possui igual ou maior influência no desenvolvimento da obesidade do que certos fatores externos.
Podemos assim dizer que a aparência do indivíduo é a soma da sua genética e de seu comportamento com o meio ambiente em que vive.
Fatores ambientais que contribuem para obesidade
Devemos considerar aqui o estilo de vida que a pessoa possui, onde podemos enquadrar também os pratos típicos da culinária da região em que se vive e a cultura em que se está inserido. Por exemplo, em países como os Estados Unidos, a luta contra a obesidade é ainda maior, é ainda mais difícil manter-se “amigo da balança”, uma vez que a cultura consumista leva os jovens a considerarem os fast-foods como algo natural e bem-vindo.
    O  adolescente obeso hoje
    Com o desenvolvimento do problema da obesidade, os adolescentes obesos logo começam a desenvolver diversos sintomas ou consequências que os especialistas geralmente dividem em dois grupos, aspectos e aspectos clínicos:
    • Aspectos psicossociais
      • Alteração da imagem corporal;
      • Depressão, que tanto pode ser  causa como consequência da obesidade;
      • Dificuldade de relacionamento com amigos;
      • Problemas escolares;
      • Dificuldades de inserir-se no mercado de trabalho;
      • Dificuldades quanto à pratica de esportes;
    • Aspectos  clínicos
      • Alterações musculo-esqueléticas;
      • Diminuição da função respiratória;
      • Diabetes tipo II;
      • Hipertensão arterial;
      • Aumento de triglicerídeos  e ácido úrico;
      • Diminuição de HDL -colesterol.
    O  adolescente obeso de amanhã
    O adolescente em questão, devido ao excesso de peso e sintomas desenvolvidos, apresentará  maior risco de desenvolver as seguintes condições:
    • Hipertensão arterial;
    • Diabetes tipo II;
    • Infarto agudo do miocário;
    • Acidente vascular encefálico;
    • Nefropatias;
    • Alterações ortopédicas;
    • Neoplasias (crescimento exagerado de células, anormais ou não, que pode levar à formação de câncer);
    • Colecistopatias (afecção da vesícula biliar);
    • Alterações endócrinas;
    • Diminuição da função respiratória.
    Algumas dicas para a prevenção da obesidade
    • Aprenda como escolher refeições mais nutritivas com menos gordura;
    • Aprenda a reconhecer e controlar as características do ambiente que o fazem comer mesmo quando não está com fome;
    • Seja mais ativo fisicamente;
    • Mantenha registro do que você come e das atividades físicas.
    Sobre o tratamento da obesidade
    O tratamento deve iniciar-se após o diagnóstico da obesidade, que geralmente se baseia na redução  da  ingestão calórica (reeducação alimentar), aumento do gasto energético (prática de exercícios físicos e esportes), modificação comportamental e envolvimento familiar no processo  de mudança.
    Outras estratégias como a cirurgia bariátrica e medicamentos devem ser avaliados e somente utilizados em casos mais graves, em que o tratamento convencional não está surtindo efeito e não haja maiores riscos às crianças ou adolescentes, pois estes estão em uma fase de maturação e crescimento.

    quarta-feira, 27 de outubro de 2010

    OBESIDADE INFANTIL

    Nas últimas décadas a obesidade tem atingido proporções epidémicas, a nível mundial e em todos os grupos etários.
    De acordo com a British Medical Association, a causa primária deste aumento está relacionada com o equilíbrio de energia: as crianças ingerem grandes quantidades de alimentos face a uma prática de actividade física reduzida.
    Este problema é ainda agravado pelo facto de a obesidade, quando surge na infância, geralmente persistir na fase adulta, dado que é um durante os períodos críticos de desenvolvimento do tecido adiposo que se regista um aumento do número de células gordas. Por esta razão é crucial para a prevenção da obesidade a limitação de ganho de peso durante a infância e a adolescência, de modo a evitar a proliferação de adipócitos.
    Na adolescência, alguns factores como as alterações da fase de transição para a idade adulta, o sedentarismo, a baixa auto-estima, alimentação excessivamente calórica e grande vulnerabilidade à propaganda consumista, contribuem na determinação da obesidade.
    Para além destas causas poderem, ainda, ser referidas outras mais, tais como:
    - Mudança do Padrão Alimentar com Maior Ingestão de Gorduras;
    - Irregularidade nos Horários das Refeições;
    - Acesso a Alimentos “Fast Food”;
    - Falta de Controlo dos Pais;
    - Instabilidade Familiar;
    - Alterações Psico-Sociais;
    - Factores Genéticos Associados.
    No entanto, existem outros factores associados:
    - 95% da obesidade na infância pode ser considerada exógena;
    - 5% representam as desordens endócrinas e síndromes genéticas;
    Riscos: - nenhum dos pais é obeso = 9%;
             - um dos pais é obeso = 50%;
             - ambos obesos = 80%
    obesidade infantil
     Algumas considerações da American Heart Association:
    • 16% das crianças e jovens  com idade compreendidas entre os 6 e 19 anos tinham excesso de peso em 1999-2002, o triplo da proporção relativamente a 1980;
    • 15% das crianças da mesma faixa etária apresentam risco de excesso de peso;
    • Mais de 10% das crianças com idades compreendidas entre o 2 e 5 anos tem excesso de peso, o dobro da proporção relativamente a 1980;
    • A prática de Actividade física nas crianças e jovens é importante devido aos benefícios em termos de saúde que apresenta;
    • De acordo com um estudo realizado pela National Association of Sports and Physical Education (NASPE), as crianças devem praticar mo mínimo 60 minutos de actividade física diária e não devem esta inactivas durante mais de 60 minutos, excepto quando estiverem a dormir;
    • Um quarto das crianças dos EUA passa 4 horas ou mais a ver TV diariamente;
    • Os jovens têm tendência a tornarem-se sedentários à medida que a idade aumenta.
    • Encorajar a prática de actividade física moderada a vigorosa é importante.

    terça-feira, 5 de outubro de 2010

    TRATAMENTO

     O principal tratamento para a obesidade é a redução da gordura corporal por meio de adequação da dieta e aumento do exercício físico. Programas de dieta e exercício produzem perda media de aproximadamente 8% da massa total (excluindo os que não concluem os programas). Nem todos ficam satisfeitos com esses resultados, mas até a perda de 5% da massa pode contribuir significativamente para a saúde. Mais difícil do que perder peso, é manter o peso reduzido. Entre 85% e 95 %, daqueles que perdem 10% ou mais de sua massa corporal, recuperam todo o peso perdido em dois a cinco anos. O corpo tem sistemas que mantêm sua homeostase em certos pontos fixos, incluindo peso. Existem cinco recomendações para o tratamento clínico da obesidade:
    1.    
    •  Pessoas com IMC acima de 30 devem ser iniciadas num programa de dieta de redução calórica, exercício e outras intervenções comportamentais e estabelecer objetivos realístas de perda de peso.
    • Se os objetivos não forem alcançados, terapia farmacêutica pode ser oferecida. O paciente deve ser informado da possibilidade de efeitos colaterais e da inexistência de dados sobre a segurança e eficácia de tais medicamentos no longo prazo.
    • Terapia farmacêutica pode incluir sibutramina, orlistat, fentermina, dietilpropiona, fluoxetina e bupropiona. Para casos mais severos de obesidade, medicamentos mais fortes como anfetaminas e metanfetaminas podem ser usadas seletivamente(somente após consulta prévia ao seu medico responsável)
    •  Pacientes com IMC acima de 40 que não alcançam seus objetivos de perda de peso (com ou sem medicamentos) e que desenvolvem outras condições derivadas da obesidade, podem receber indicação para realizarem cirurgia bariátrica. O paciente deve ser informado dos riscos e potenciais complicações.
    • Nesses casos, a cirurgia deve ser realizada em centros que realizam grande número desses procedimentos já que as evidências indicam que pacientes de cirurgiões que os realizam com freqüência tendem a ter menos complicações no pós-cirúrgico.

    CAUSAS E MECANISMOS

     Estilo de vida Pesquisadores já concluíram que o aumento da incidência de obesidade em sociedades ocidentais nos últimos 25 anos do século XX teve como principais causas o consumo excessivo de nutrientes combinado com crescente sedentarismo. 

    Embora informações sobre o conteúdo nutricional dos alimentos esteja bastante disponível nas embalagens dos alimentos, na internet, em consultórios médicos e em escolas, é evidente que o consumo excessivo de alimentos continua sendo um problema. Devido a diversos fatores sociológicos, o consumo médio de calorias quase quadruplicou entre 1977 e 1995. Porém, a dieta, por si só, não explica o significativo aumento nas taxas de obesidade em boa parte do mundo industrializado nos anos recentes. Um estilo de vida cada vez mais sedentário teve um papel importante.

    Outros fatores que podem ter contribuído para esse aumento -- ainda que sua ligação direta com a obesidade não seja tão bem estabelecida -- o estresse da vida moderna e sono insuficiente.

    Genética

    Como tantas condições médicas, o desequilíbrio metabólico que resulta em obesidade é fruto da combinação tanto de fatores ambientais quanto genéticos. Polimorfismos em diversos genes que controlam apetite e metabolismo predispõem à obesidade, mas a condição requer a disponibilidade de calorias em quantidade suficiente, e talvez outros fatores, para se desenvolver plenamente. 

    Diversas condições genéticas que têm a obesidade como sintoma já foram identificadas (tais como Síndrome de Prader-Willi, Síndrome de Bardet-Biedl, síndrome de MOMO e mutações dos receptores de leptina e melanocortina), mas mutações genéticas só foram identificadas em cerca de 5% das pessoas obesas. Embora se acredite que grande parte dos genes causadores estejam por ser identificados, é provável que boa parte da obesidade resulte da interação entre diversos genes e que fatores não-genéticos também sejam importantes.

     Doenças

    Determinadas doenças físicas e mentais e algumas substâncias farmacêuticas podem predispor à obesidade. Além da cura dessas situações poder diminuir a obesidade, a presença de sobrepeso pode agravar a gestão de outras. Males físicos que aumentam o risco de desenvolvimento de obesidade incluem diversas síndromes congênitas (acima mencionadas), hipotiroidismo Síndrome de Cushing e deficiência do hormônio do crescimento. Certas enfermidades psicológicas também podem aumentar o risco de desenvolvimento de obesidade,diabetes disfunções alimentares como bulimia nervosa.

    Bactérias

    Segundo estudo publicado na revista Science, bactérias que favorecem a digestão também poderiam fazer o corpo acumular quilos a mais, caso não estejam devidamente equilibradas. Em excesso, essas bactérias alteram o metabolismo e o apetite

    IMC!


     

    IMC, ou índice de massa corporal, é um método simples e amplamente difundido de se medir a gordura corporal. A medida foi desenvolvida na Bélgica pelo estatístico e antropometrista, Adolphe Quételet. É calculado dividindo o peso do indivíduo em quilos pelo quadrado de sua altura em metros.
    Equação: IMC = kg / m2
    Onde kg é o peso do indivíduo em quilogramas e m é sua altura em metros.

    As atuais definições estabelecem a seguinte convenção de valores, acordada em 1997 e publicada em 2000:
    IMC Classificação
    < 18.5 Abaixo do
    18.5–24.9 Peso normal
    25.0–29.9 Sobrepeso
    30.0–34.9 Obesidade grau I
    35.0–39.9 Obesidade grau II
    ≥ 40.0   Obesidade grau III  

    Em analíses clínicas, médicos levam em consideração raça, etnicidade, massa muscular, idade, sexo e outros fatores que podem influenciar a interpretação do índice. O IMCIMC, observando-se os percentuais para idade e sexo, como critério de adiposidade. 

    Há uma grande variedade de critérios para definir sobrepeso e obesidade na infância, o que dificulta as comparações entre os estudos de prevalência . O critério mais utilizado atualmente é aquele sugerido em 2000 pelo Center for Disease Control (CDC)3 quando, revisando suas tabelas de crescimento que datam de 1977, incluiu as tabelas de IMC para indivíduos de 2 a 19 anos de idade, e recomendou a utilização dos termos “risco de sobrepeso” para aqueles com IMC para idade e sexo em percentuais > 85 e o termo “sobrepeso” para aqueles com IMC para idade e sexo em percentuais > 95. Na prática clinica, tais termos foram substituídos por sobrepeso e obesidade, respectivamente. 

    Procura-se encontrar um índice de pontos de corte de IMC que possa mostrar continuidade desde a infância à idade adulta, com o objetivo de correlacionar a obesidade e comorbidades nestas diferentes faixas etárias. Nesse sentido, o estudo realizado por Cole et al (2000)4, em seis países (Inglaterra, Brasil, Hong Kong, Singapura, Holanda e EUA), tem sido aceito e recomendado pelo IOTF para estudos epidemiológicos populacionais. Os autores desenvolveram pontos de corte para sobrepeso e obesidade, a partir da correlação entre os percentuais de IMC > 85 e > 95 para idade e sexo na faixa etária pediátrica que, aos 18 anos, correspondem aos pontos de corte para sobrepeso (> 25 kg/m²) e obesidade (> 30 kg/m²) na faixa etária adulta.

    O QUE É OBSIDADE


    Obesidade, nediez ou pimelose (tecnicamente, do grego pimelē = gordura e ose processo mórbido) é uma doença crônica multifatorial, na qual a reserva natural de gordura aumenta até o ponto em que passa a estar associada a certos problemas de saúde ou ao aumento da taxa de mortalidade. 

    É resultado do balanço energético positivo, ou seja, a ingestão alimentar é superior ao gasto energético.

    Apesar de se tratar de uma condição clínica individual, é vista, cada vez mais, como um sério e crescente problema de saúde pública: o excesso de peso predispõe o organismo a uma série de doenças, em particular doença cardiovascular, diabetes mellitus tipo 2, apnéia do sono e osteoartrite.